Quando Seong Gi-hun, o jogador 456 de "Round 6", decide liderar uma revolta na ilha (não se preocupem, ainda estamos falando da segunda temporada), não são apenas as armas roubadas dos guardas mascarados que se tornam essenciais para o sucesso da operação. Os rádios comunicadores também desempenham um papel fundamental, garantindo a coordenação e eficácia do movimento.
Embora uma série com cenas intensamente violentas possa parecer um terreno improvável para ações de marketing, a fabricante chinesa de rádios móveis digitais (DMRs), Hytera, não hesitou em investir na exposição de sua marca após o grande sucesso da primeira temporada. Naquela época, os vigilantes ainda recebiam ordens por meio de megafones, o que proporcionou uma oportunidade estratégica para a empresa. A visão ousada de investir na série se mostrou acertada, e os rádios da Hytera estão de volta na nova temporada, que estreou recentemente na Netflix.
Flavio Fuchs, vice-presidente da Hytera no Brasil, revela que a estratégia de visibilidade foi um sucesso. "Mesmo quando o nome da empresa não estava explícito, os parceiros rapidamente reconheceram os aparelhos pelas características únicas, como o knob (botão giratório) e a antena", comenta ele. Essa identificação instantânea foi o que garantiu o sucesso da ação de marca.
A Hytera fabrica rádios comerciais usados para comunicação interna em estabelecimentos como supermercados e shoppings, incluindo o Cidade Jardim. Além disso, a empresa também fornece rádios troncalizados para missões críticas, como as realizadas pela mineradora Vale, bombeiros e forças de segurança pública. Para aumentar sua presença no mercado, a Hytera também fabrica aparelhos sob outras marcas, como os rádios Intelbras.
Embora seja difícil calcular diretamente o impacto dessa visibilidade em vendas, Fuchs destaca que o principal objetivo não era esse. "Não estamos focados em vendas diretas. Fabricamos os rádios em Shenzhen, e tenho quatro parceiros distribuindo para cerca de 200 revendedores no Brasil", explica. No entanto, ele confia que ações de branding, como essa parceria com "Round 6" e o patrocínio à Porsche Cup Brasil, irão ajudar a impulsionar os negócios da Hytera no médio prazo. Fuchs também compartilha sua ambição de dobrar o faturamento no Brasil nos próximos cinco anos, embora prefira não revelar dados exatos. A empresa, que tem um faturamento global anual de aproximadamente US$ 850 milhões, já representa 45% das importações de rádios no Brasil nos últimos dois anos.
Em relação à origem do nome da empresa, "Hytera" é pronunciado em mandarim como "Hǎinéngdá", que pode ser traduzido como "capacidade de alcançar através do mar", refletindo a visão global e ambiciosa da marca.